
Representação do PSDB pedia a abertura de processo para
investigar as relações de Protógenes com Idalberto Matias Araújo,
conhecido como Dadá
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados rejeitou na tarde
desta quarta-feira a abertura de processo contra o deputado Delegado
Protógenes (PCdoB-SP) por ligação com um 'araponga' do bicheiro
Carlinhos Cachoeira. A decisão acontece no dia em que o senador
Demóstenes Torres (sem partido-GO) teve o mandato cassado. A informação é
da
Agência Câmara.
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Por 18 votos contrários, um a favor e uma abstenção, os parlamentares
que integram o colegiado rejeitaram o parecer do relator, o deputado
Amauri Teixeira (PT-BA), que pedia a investigação do político.
A representação do PSDB pedia a abertura de processo para investigar
as relações de Protógenes com Idalberto Matias Araújo, conhecido como
Dadá, ex-sargento da Aeronáutica e acusado de ser o "araponga" da
organização comandada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Escutas da Polícia Federal na Operação Monte Carlo flagraram
Protógenes em 2011, quando já era deputado, dando orientações a Dadá
sobre como proceder como testemunha de um processo aberto pela
corregedoria do órgão que investigava a atuação dele como delegado.
Defesa
Em sua defesa, Protógenes lembrou que foi autor do pedido de instalação
da CPMI do Cachoeira e que, portanto, seria incoerente atribuir a ele
qualquer relação com o esquema. Ele argumentou que a aprovação do
parecer do deputado Amauri Teixeira, a favor da abertura do processo, já
seria sua condenação política.
Delegado licenciado da Polícia Federal (PF), Protógenes disse ter
conhecido Dadá em 2007, durante um trabalho envolvendo os serviços de
inteligência da PF e da Aeronáutica. Segundo ele, na época não havia
nada que desabonasse a conduta do ex-sargento.
Carlinhos Cachoeira Acusado de comandar a exploração do
jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi
preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de
2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz,
assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia
propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)
dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de
parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram
contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO).
Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia
obedecido a critérios legais.
Nos dias seguintes, reportagens dos jornais
Folha de S.Paulo e
O Globo
afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones
antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador
pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com
táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre
reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.
Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no
Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o
parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o
ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou
a quebra de seu sigilo bancário.
O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2
de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia
resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a
desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as
denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes
públicos e empresas.
Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior
recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça
parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um
funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros
de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do
Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o
Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.